JURAMENTO NO ARAXÁ SAGRADO,
queria incendiar Roma mas o fósforo tava queimado

Centro Cultural Sao Paulo - CCSP
Novembro 2010 - Março 2011

Conciudadanos,

esta exposição épico-estético-pedagogo retórico-3D se trata de um estudo sobre o poder de uma alegoria histórica: o juramento de liberdade de Simón Bolívar. Testemunhada/narrada/criada pelo poeta S.R..

Tal estudo não se orienta pela verdade histórica. E sim pelo espaço dramático, a escala monumental e a temporalidade milenar que essa alegoria produz/requer. Espaço, tempo e escala próprios da representação oficialesca de um 'espírito do Estado' em contraponto com o 'corpo do povo'.


"[...] jogando com elementos da memória e do esquecimento a partir de um texto célebre (para "nuestros hermanos"), Leandro cria uma série de situações que parecem querer fazer a verificação da capacidade intrínseca do texto político de criar um espaço dramático e uma monumentalização da palavra, verificação esta que comporta a crítica às noções de monumento, de história e de identidade."
Fernanda Pitta


O parlatorio sobre rodas tem função discursiva, podendo ser incrementado com sistema de som integrado. Rodas aro 24 com pneu sleek, aguentam qualquer terreno político!

desenho original: Wodizscko
Adaptação para os trópicos: Leandro Cardoso e Thales de Azevedo

Ensaio I

El voluntario (da pátria), candidato a candidato popular subiu no parlatorio sobre rodas e começou a discursar: discurso épico didático roteirizado. Enquanto a um-banda carnavalesca intercalava cada promessa proferida com a introdução de marchinhas específicas, que bem poderiam ser marchas de um exército panamericano, guardião da encruzilhada amazônica-andina. Alguns presentes nesse ensaio inaugural (ensaio de participação popular, ensaio de povo, ensaio de exposição de arte) dividiram o peso do estandarte 'El' durante a procissao - de uma ponta a outra do terraço do Centro Cultural Zum Paulu.

Por pouco esse ensaio inaugural não ficou sem seu candidado a candidato popular (o profeta negro Amerykano que você vê em cima do parlatorio sobre rodas). Resulta que o trabalho mais lhe pareceu macumba que exposição de arte. Mas isso não é sem razão. O bozó invoca o espírito do Libertador, ocupante por destino e por direito do mais alto posto da Respublica.

 

 


Digníssimos cidadãos e curiosos em geral foram convidados a ocupar o posto de Libertador: a subir no parlatorio 'memorial' (palco retórico) e contemplar a antiguidade Greco-Romana, berço de um projeto democrático milenar que, por fim, teria sua resolução no Novo Mundo. A pinga é boa!

O parlatorio 'memorial' é um desenho original de Oscar Niemeyer para o Memorial da América Latina. Adaptado e macumbado por Leancro Cardoso e Thales de Azevedo.

A pintura cênica retrata a vista desde o Monte Aventino, em Roma, reinterpretação de uma pintura histórica panamericana.

Os 'Estandartes para Ameryka' foram encomendados na Bolívia e produzidos com a mão de obra aymara de Gemio Flores e sua equipe. Arquiteto formado, Flores emprega a técnica arquitetônica no artesanato tradicional de seu país. Existem dois modelos básicos de estandarte bordado: o folclórico e o cívico.

O Estandarte cívico obedece regras formais de tamanho, legibilidade e adereços; normalmente utilizado em cerimoniais (posse, procissão, desfile, etc) e para marcar territorio do Estado (edificios, sedes governamentais, etc). Em contrapartida, estandartes cívicos podem ser 'tomados pelo povo' para encabeçar protestos de rua e manifestações políticas populares. Já os estandartes folclóricos não seguem regras tão rígidas, sendo mais brincalhões e carnavalescos; servindo para entradas de caporales, maracatu, samba, goumbé royale, etc.

De uma série continua, foram usados nessa exposição:
*estandarte da genealogisa paternalista 'El' (vermelho)
*estandarte 'Ai de mim, Stigmata' (verde)
*estandarte 'La Expresión Americana' (azul)

 

Ensaio II

O convidado Gerrit Schlegel, um alemão que quer despir índios, pretos e brancos, falou sobre descobridores e mapas, sistemas-mundo e papagaios, costumes, viajantes europeus nos trópicos, antropofagia, weltanschauung e outra série de idéias surgidas a partir do mito inaugural do descobrimento.

Ouça gravação editada da palestra (30min.)

 

 

Ensaio III

Em resposta a exposição, o historiador João Paulo Pimenta ensaiou sobre o projeto bolivariano e a relação do Brasil com essa historia 'vizinha'.

Ouça gravação editada da palestra (30min.)